Introdução
No último dia 26 de novembro de 2025, Bruno Paes Manso, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP), apresentou um diagnóstico sobre a modernização das organizações criminosas no Brasil durante uma audiência pública na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. Ele destacou o suposto papel do bitcoin e das criptomoedas na logística financeira dessas facções, sugerindo que essas organizações estão abandonando métodos tradicionais em favor de tecnologias descentralizadas.
O que aconteceu
Durante sua fala na CPI, Manso argumentou que as organizações criminosas estão cada vez mais utilizando criptomoedas para movimentar grandes quantias de dinheiro, uma vez que a tecnologia permite acesso direto ao mercado global sem a necessidade de intermediários bancários. Segundo ele, a modernização dos métodos de movimentação de valores pelas facções é uma realidade que requer uma nova abordagem das autoridades de segurança pública.
O pesquisador mencionou dados que indicam que facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), estão ativas em todos os estados brasileiros, com uma movimentação financeira estimada em quase R$ 300 bilhões por ano. Manso afirmou que a tecnologia de criptomoedas, que surgiu em 2008, transformou a forma como o dinheiro é transferido, possibilitando o transporte de grandes somas de dinheiro através de dispositivos simples como pen drives.
Contexto e Antecedentes
A CPI do Crime Organizado investiga a atuação de grupos criminosos no Brasil, como o PCC e o CV, que têm mais de 30 anos de história. A utilização de criptomoedas por essas facções representa uma mudança significativa nas práticas de financiamento do crime, tornando as operações financeiras mais ágeis e difíceis de rastrear.
Reação e Relevância para o Ecossistema
O discurso de Manso levanta questões importantes sobre a necessidade de uma nova postura das autoridades diante da evolução das ferramentas de movimentação financeira utilizadas por grupos criminosos. O uso de criptomoedas pode criar um sistema financeiro paralelo, operando à margem das regulações tradicionais de controle cambial, o que exige uma resposta mais eficaz por parte das instituições de segurança pública.
Além disso, a figura do doleiro, tradicionalmente crucial para a lavagem de dinheiro, tem perdido relevância devido à portabilidade e à facilidade das transações digitais proporcionadas pelas criptomoedas. Essa mudança tecnológica representa um desafio significativo para o combate à criminalidade financeira no Brasil.
Conclusão
A audiência pública sobre o papel das criptomoedas no financiamento do crime organizado evidenciou a necessidade urgente de um alinhamento das políticas de regulação e segurança pública no Brasil. O uso de tecnologias descentralizadas por organizações criminosas representa um novo paradigma que desafia as abordagens tradicionais de combate ao crime, exigindo uma adaptação rápida e eficaz das autoridades competentes.




